Grupo Interinstitucional de Comunicação e Educação em Saúde de Santa Catarina 

    Encontro propõe mais controle social na saúde
     


    A criação de estratégias para buscar espaços nos meios de comunicação para divulgar deliberações de conselhos de saúde e a formação de conselhos gestores em unidades de saúde e de conselhos locais de saúde foram  propostas no II Encontro de Comunicação e Educação em Saúde do Estado de Santa Catarina com o objetivo de fortalecer a participação da população na formulação e controle das políticas de saúde pública no país. Realizado pela Fundação Nacional de Saúde, Secretaria de Estado da Saúde e organizações públicas e não governamentais, o evento reuniu no Hotel Valerim Plaza em Florianópolis de 26 a 28 de outubro de 2001 mais de cem pessoas, entre enfermeiros, médicos, assistentes sociais, jornalistas, educadores, representantes de movimentos sociais, secretários e conselheiros de saúde, que também defenderam a criação de jornais  e  homepages dos conselhos de saúde, a utilização de rádios e tevês comunitárias pelo setor saúde, a abordagem do Sistema Único de Saúde  em salas de aula e a realização do II Encontro Estadual Saúde e Doença na Mídia, para debater a cobertura jornalística do setor saúde. Entre as 58 proposições levantadas no encontro, que foram encaminhadas à Plenária Nacional de Conselhos de Saúde realizada de 18 a 20 de novembro em Brasília, ainda estão a capacitação de trabalhadores da saúde sobre controle social do SUS e o encaminhamento ao Ministério das Comunicações de um pedido de revisão dos critérios de acompanhamento das concessões públicas de rádio e tevê, visando garantir a veiculação - sem custo para o Governo Federal - de informações voltadas à promoção da saúde.

    O evento teve conferências e oficinas temáticas com a participação de mestres e doutores em comunicação e saúde coletiva das universidades federais da Bahia, Rio de Janeiro e Santa Catarina, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura/UNESCO e Fundação Oswaldo Cruz ao lado de líderes de povos indígenas e comunidades carentes como a favela Chico Mendes, da capital catarinense. Organizado pela Coordenação Regional da Fundação Nacional de Saúde, Secretaria de Estado da Saúde e entidades como a Pastoral de Saúde, SESI, SESC, Fórum Popular de Saúde e Grupo Interinstitucional de Comunicação e Educação em Saúde de SC, GICES-SC, o evento  teve apoio do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa.

    Na conferência de abertura, o presidente da Sociedade Médica de Acupuntura e conselheiro de saúde do Estado de Santa Catarina Julio César Marchi alertou a platéia para os obstáculos enfrentados  pela sociedade para a efetivação do controle social na saúde, como o despreparo dos conselheiros, a elaboração vertical de orçamentos e planos de saúde pelos gestores em que conselheiros  atuam como meros avalistas, e o entendimento de que a participação do conselheiro é uma concessão dos governantes. Para que o controle social avance, Julio destacou a importância da realização de plenárias de conselheiros e audiências públicas e da representatividade efetiva dos segmentos nos conselhos.

    O médico e consultor em saúde Gilson Carvalho tratou da participação da população na formulação das políticas de saúde. Ele defendeu uma ação propositiva em que o cidadão “propõe  saídas para a sociedade e o Estado com idéias, ajudando na construção da política, dos planos, dos programas, das estratégias e das metas”.  Para ele, o cidadão deve cooperar no controle da eficácia e eficiência das ações realizadas pelo Estado. Gilson explicou que a participação do cidadão nas políticas públicas e  a prestação de contas dos governantes estão previstas na Constituição e na legislação.
    O médico ainda destacou a necessidade da construção de um “marketing positivo”  do SUS:
    - O sistema faz 320 milhões de consultas por ano,  2,6 milhões de  partos e 660 mil cesarianas, 12,5 milhões de   internações; 50 milhões de vacinas;  5,6 milhões de hemodiálises, 21 mil transplantes e 151 mil cirurgias cardíacas. Ninguém divulga. A imprensa mostra o quê? Um parto na calçada!!!

    O professor de jornalismo da UFSC Francisco Karam abordou o tema “Ética, Jornalismo e Saúde” , defendendo a criação pelo setor saúde de jornais, programas de rádio e de televisão. O médico e professor de comunicação da UFBA Albino Rubim apresentou estudo sobre as estratégias de comunicação de entidades da sociedade civil como o Greenpeace, a Anistia Internacional e o Movimento Zapatista,  e destacou a luta dos movimentos da saúde que criaram mecanismos de democratização do sistema de saúde no Brasil como exemplo a ser seguido por outras áreas da sociedade, buscando também a democratização da comunicação.

    O cacique kaingangue e vice-prefeito de Ipuaçu Orides Belino tratou do funcionamento dos Conselhos Distritais de Saúde Indígena – que devem executar o controle social nos serviços de saúde das comunidades indígenas - e se queixou da excessiva normatização do SUS: “É decreto, é lei que muda todo mês,  e nas comunidades indígenas nós temos nossa lei interna, que passa de pai para filho”.

    O líder comunitário Antonio Joel de Paula reclamou da falta de órgãos de comunicação que retratem a realidade das comunidades carentes da capital catarinense: “Florianópolis não é só praia bonita, tem a periferia que é pobre”.

    A vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde/CONASEMS - Região Sul Adeliana Dal Pont tratou de mecanismos  institucionais do SUS, como a Programação Pactuada Integrada/PPI e a Norma Operacional de Assistência à Saúde, e afirmou que o Cartão SUS vai melhorar o gerenciamento do sistema de saúde. Para Adeliana, que é secretária municipal de saúde de São José, SC, a NOAS ampliou responsabilidades do Estado, concedendo-lhe o direito de intervir nos municípios. “O Estado não pode executar ações, isto é um erro”, opinou ela.

    O jornalista e educador Marcus Marconi Palmeira apresentou painel sobre o Programa de Educação em Saúde e Mobilização Social, instrumento obrigatório para a aplicação de recursos financeiros em projetos passíveis de financiamento pela FUNASA. Ele explicou que o PESMS pretende sensibilizar os gestores e as organizações sociais para a importância da efetiva participação da comunidade no desenvolvimento de ações de prevenção e controle de doenças, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população e incentivando a cidadania. “Não podemos ficar só apagando incêndios, fazendo ações pontuais. Temos que criar uma cultura de educação em saúde”, disse Marconi, que é  consultor da  UNESCO e está atuando na FUNASA.

    O Grupo Artístico Teatral Talento e Arte – GRATTA apresentou uma peça abordando a necessidade da união da população para enfrentar de forma organizada seus problemas de saúde. O grupo é formado por estudantes de escolas públicas de Florianópolis e tem coordenação de Vera Costa, funcionária da Secretaria da Saúde de SC.
     

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