Grupo Interinstitucional de Comunicação e Educação em Saúde de Santa Catarina 

A desinformação do jovem sobre a AIDS
Estudo das Nações Unidas encontra alarmante falta de conhecimento sobre HIV/AIDS entre os jovens. Ao iniciar sua vida sexual, muitos não sabem como se proteger

Relatório das Nações Unidas lançado em julho de 2005 concluiu que a grande maioria dos jovens em todo o mundo não tem a menor idéia de como o HIV é transmitido e o que deve fazer para se proteger do vírus e da doença. O estudo mostra ainda que a adolescência é a época em que a maioria das pessoas torna-se sexualmente ativas, conforme informa o site da UNICEF- Fundo das Nações Unidas para a Infância.

Esses pontos, que destacam o porquê do HIV/AIDS espalhar-se tão rapidamente, fazem parte do relatório 'Os Jovens e o HIV/AIDS: Oportunidade na Crise, produzido pelo UNICEF, UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS) e OMS (Organização Mundial da Saúde). Pela primeira vez, lança-se um olhar global sobre o comportamento e o conhecimento em relação ao HIV/AIDS de adolescentes e jovens entre 15 e 24 anos de idade.

"Temos duas tendências complementares que levam, em grande parte, à crise do HIV/AIDS no mundo. Uma delas é que as pessoas jovens fazem sexo cada vez mais cedo, algo que o mundo deve reconhecer como pré-condição para programas de prevenção", disse Carol Bellamy, Diretora Executiva do UNICEF. "A outra é que os jovens realmente não possuem o conhecimento apropriado para se proteger. E, como trágica conseqüência, estão-se tornando presas do HIV/AIDS de forma desproporcional."

O relatório ressalta que os jovens estão no centro da epidemia do HIV/AIDS: eles são, ao mesmo tempo, os mais atingidos pela doença e a chave para derrotá-la. No entanto, a despeito disso, as estratégias para combater a epidemia geralmente ignoram os jovens.

As organizações das Nações Unidas que publicaram o relatório convocam para um comprometimento político sem paralelo para levantar recursos financeiros e humanos para lutar contra o HIV/AIDS. Esse é um esforço que precisa ter como centro o trabalho com adolescentes e jovens, para que tenham conhecimento sobre o HIV e sobre as formas de evitar a infecção.

Pesquisas realizadas em 60 países indicam que, de maneira geral, mais de 50% dos jovens entre 15 e 24 anos fazem uma idéia completamente falsa sobre a transmissão do HIV/AIDS - um forte indicador de que os jovens não têm acesso a informações corretas. Em alguns dos países onde o risco de se contrair o vírus é maior, a proporção de jovens que têm o conhecimento correto de como se proteger é menor que 20%. O resultado: metade das pessoas que estão se infectando hoje em dia tem entre 15 e 24 anos de idade.

"É evidente que os jovens não têm informação e meios de se proteger do HIV", disse Peter Pior, Diretor Executivo do UNAIDS. "Todos os dias, 6 mil adolescentes e jovens contraem o vírus da AIDS. Cada uma dessas novas infecções pode ser evitada. A prevenção é possível e tem melhor custo-benefício. Em cada país onde a transmissão do HIV foi reduzida, foi entre os jovens que houve a maior redução."

As principais conclusões do relatório:

  • Falta de informação dos jovens sobre o HIV/AIDS. Em países com epidemia do HIV generalizada, como Camarões, República Centro-Africana, Guiné Equatorial, Lesoto e Serra Leoa, mais de 80% das mulheres entre 15 e 24 anos de idade não têm conhecimento suficiente sobre o HIV. Na Ucrânia, embora 99% das meninas tenham ouvido falar sobre AIDS, somente 9% conhecem três formas de evitar a infecção.Em muitos países com alto índice de prevalência de HIV, meninas e meninos tornam-se sexualmente ativos antes de completar 15 anos. Mais de 25% dos rapazes entre 15 e 19 anos no Gabão, Haiti e Malaui responderam, em pesquisas recentes, que haviam tido relações sexuais antes dos 15 anos
  • Uso correto do preservativo e outros comportamentos de prevenção devem ser ensinados desde cedo. Em Burquina Fasso, somente 45% dos garotos entre 15 e 19 anos de idade disseram que usam camisinha em relações extraconjugais, comparado com 64% dos rapazes entre 20 e 24 anos que usam o preservativo. Em Malaui, essas taxas são de 29% e 47% respectivamente. Um pesquisa feita em 1999 na Ucrânia mostrou que somente 28% das mulheres entre 15 e 24 anos haviam usado preservativo em sua primeira relação sexual.
  • Garotas correm grande risco de contrair o vírus da AIDS, especialmente na África ao sul do Saara. Estima-se que, nessa região, mais de dois terços dos recém infectados entre 15 a 19 anos são mulheres. Na Etiópia, Malaui, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue, para cada garoto entre 15 e 19 anos infectado, há de cinco a seis garotas infectadas na mesma faixa etária.
Adolescentes e jovens são a chave para derrotar a pandemia

O relatório ressalta que a propagação do HIV/AIDS está estagnada ou em declínio em países como Tailândia e Uganda, porque foram dados a adolescentes e jovens de ambos os sexos o conhecimento, as ferramentas e os serviços necessários para a adoção de práticas e comportamentos sexuais seguros. Ou seja, há uma forte ligação entre o qoue o adolescente sabe e como ele age, e que um ambiente seguro e protegido é crucial para que eles desenvolvam as habilidades necessárias para evitar a infecção. Além disso, o relatório diz que esforços especiais devem ser feitos para alcançar os jovens mais vulneráveis, como os usuários de drogas e os trabalhadores sexuais.

"Os jovens demonstraram, de modo inquestionável, que são capazes de fazer escolhas responsáveis para proteger a si próprios, quando recebem apoio para tanto, e eles podem ensinar e motivar outros jovens para que também façam escolhas responsáveis", disse Gro Harlem Brundtland, Diretora Geral da OMS.

O relatório traça 10 passos que os países devem seguir como parte dos esforços de prevenção do HIV/AIDS:

1. Acabar com o silêncio, o estigma e a vergonha;
2. Fornecer conhecimento e informação para os jovens;
3. Tomar providências para que os jovens transformem o conhecimento em prática;
4. Providenciar serviços de saúde especializados em jovens;
5. Promover consultas e teste do HIV de forma voluntária e confidencial;
6. Trabalhar com os jovens, incentivando sua participação;
7. Engajar jovens que estejam vivendo com o HIV/AIDS;
8. Criar ambientes seguros e de apoio;
9. Atingir os jovens que correm maior risco;
10. Fortalecer parcerias, acompanhar os progressos.

O relatório é baseado em duas tabelas estatísticas fundamentais. A primeira apresenta dados de quase todos os países sobre população, epidemiologia, educação, nível de conhecimento sobre o HIV/AIDS e comportamento sexual. A segunda tabela traz informações mais detalhadas sobre conhecimento sobre o HIV/AIDS e comportamento sexual em 60 países onde a prevalência do HIV é igual ou maior a 1%. As estatísticas apresentadas são relativamente recentes, de 1999 em diante, então podem servir de base para os próximos dez anos.

As novas estatísticas permitirão a avaliação do sucesso no alcance de metas e objetivos globais contra o HIV/AIDS. Esses objetivos e metas foram fixados na Sessão Especial da Assembléia Geral das Nações Unidas sobre o HIV/AIDS em junho de 2001 e reforçados em maio de 2002 na Sessão Especial sobre a Criança.

Para a prevenção, as principais metas estabelecidas são:

"Reduzir em 25% até 2005, nos países mais afetados pelo HIV/AIDS, a prevalência do vírus entre homens e mulheres de 15 a 24 anos; e, globalmente, em 25% até 2010."

"Assegurar que pelo menos 90% até 2005 e 95% até 2010 dos homens e mulheres na faixa etária de 15 a 24 anos tenham acesso à informação, educação e serviços necessários para desenvolver habilidades e conhecimentos requeridos para reduzir sua vulnerabilidade à infecção pelo HIV."


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