Grupo Interinstitucional de Comunicação e Educação em Saúde de Santa Catarina 
Educação e Cidadania

" É preciso buscar a transformação"
                                                   (Ana Tania Lopes Sampaio)

Para a educadora Ana Tania Lopes Sampaio, da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Norte, educação só tem fundamento se buscar cidadania, se for elemento transformador da sociedade. Apresentando no dia 1º/7 o tema "Educação em Saúde e a Construção da Cidadania", ela abordou a participação da população nos projetos educativos e no controle social do SUS. "Esta participação tem que ser real e deve ser estimulada", afirmou a educadora, argumentando que é necessário trabalhar os conceitos de saúde na comunidade senão a população reivindica novos postos de saúde esquecendo o posto que já existe mas não funciona. Segundo ela, devemos renovar enfoques, estratégias e práticas educativas nos bairros, serviços de saúde e escolas. É preciso construir a educação em saúde juntando saber técnico com saber popular. "Aprender com a comunidade é dar poder, hoje a gente ensina e tira poder, o saber técnico não está sendo aberto à população", comentou Ana Tania, acrescentando que não adianta só saber mas que é preciso buscar a transformação social. Devemos ultrapassar o muro da nossa casa e trabalhar com a comunidade. É preciso fazer saúde centrada nas pessoas, elas não são instrumento do nosso uso, advertiu a educadora. A programação de atividades deve ser centrada na demanda e não só no micro, como uma campanha contra o cólera, alertou Tania. A educadora do RN disse que promoção da saúde é o nome dado ao processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo. O conceito foi extraído da Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde realizada em 1986 em Ottawa, Canadá. Os desafios da promoção da saúde, na sua opinião, são reduzir desigualdades, incrementar a prevenção e favorecer o enfrentamento. "O SUS é um modelo perfeito, no papel... ainda não é justo, precisamos construí-lo", comentou ela, incentivando a discussão da NOB e do papel dos Conselhos de Saúde. Ana dividiu o processo de aprendizagem da seguinte forma: Informação (saber) - Comunicação (sentir) - Educação (transformar, atuar). Na avaliação dela, utilizamos muito a informação dizendo que estamos fazendo educação. "Educação existe quando há um processo de transformação", explicou.
Ana Tania Sampaio revelou os resultados de uma pesquisa realizada no Rio Grande do Norte sobre as práticas educativas em saúde:
· A educação formal (responsabilidade da escola) atinge 15% da população;
· a educação informal é vivenciada por 80% da população em organizações sociais como associações de bairros, com agentes comunitários, e através da sabedoria popular;
· só 5% da população têm acesso à educação em saúde, prática dos serviços de saúde.
Para atingir um estado saudável, prosseguiu a educadora, os indivíduos e grupos devem saber identificar aspirações, satisfazer necessidades e modificar favoravelmente o meio ambiente. A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros, a habitação, a alimentação , e a educação. Ela classificou como mecanismos de promoção da saúde o auto-cuidado, a ajuda mútua (parceria) e os ambientes saudáveis (municípios). Como estratégias de execução, recomendou fortalecer os serviços de saúde, coordenar as políticas do setor saúde e favorecer a participação popular. Para ela, as responsabilidades centrais do setor saúde são a promoção da saúde - composta por ações dirigidas aos indivíduos, visando seus hábitos, comportamentos e práticas sociais -, a proteção da saúde - ações voltadas para os indivíduos e o meio ambiente (como vacinação e vigilância sanitária) e a recuperação da saúde - ações assistenciais concentradas nos indivíduos. Ela destacou a necessidade da formação de parcerias para consolidar as ações educativas, dando-lhes sustentação política. Citou a importância de os educadores buscarem espaço na Comissão Intergestores Bipartite e envolverem organismos do Poder Judiciário, como o Ministério Público, na discussão e implementação da Norma Operacional Básica - NOB/SUS. Ana Tania recomendou também que a área de educação avance dentro das instituições. Ela acha que os municípios devem ser estimulados a terem educadores. "É preciso institucionalizar para responsabilizar", ponderou, alertando para o risco do discurso que afirma que a educação está embutida em tudo: "aí não vem recurso para a educação!" A educadora da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte afirmou que a Lei de Diretrizes de Base da Educação e a transversalidade permitem a inclusão de questões da saúde na educação formal. Ana Tania Sampaio ainda comentou que a maioria da população brasileira vê a cidadania como desejo isolado, esquecendo o conjunto que formou o processo.