Grupo Interinstitucional de Comunicação
e Educação em Saúde de Santa Catarina 

Artigo
O NÃO-MARKETING OU  ANTI-MARKETING DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
Gilson Carvalho
carvalhogilson@uol.com.br
No afã diário de resolver os problemas emergentes do Sistema Único de Saúde os gestores públicos correm  um alto risco de ficarem apenas na administração das “faltas” de cada dia. Cuidando do varejo e não do essencial. Correndo atrás do prejuízo.O grande problema enfrentado hoje pelo SUS é ter poucos defensores do Sistema Único de Saúde(SUS), universal e eqüitativo, servindo a todas as pessoas em suas necessidades de saúde numa concepção mais ampla e integradora, como man-da a Constituição Federal.
 

Como não aparece um Sistema de Saúde que realiza mais de um bilhão de atendimentos ano para uma população  de 157 milhões de pessoas, 100 milhões que, com certeza, se servem dele? Três milhões de mulheres dão à luz em leitos hospitalares pagos pelo SUS (isto é: financiados pelos impostos dos cidadãos) e não aparece como serviço prestado pelo SUS? São cerca de 15 milhões de internações/ano, realizadas com recursos públicos do cidadão, gerenciadas pelo SUS... e nada de aparecer na mídia e na opinião pública! É só problema, reclamações... uma avalanche de críticas que mais parece orquestração de inimigos (aqueles que se enriquecem com as dificuldades de funcionamento do público )!...
Já analisei e concluí que o SUS tem duas classes de clientela. Uns que o utilizam, só têm o SUS a quem recorrer em suas necessidades de saúde. Infelizmente, nem fazem a associação entre o serviço de saúde recebido e o efetivador que  é o Sistema Único de Saúde, o SUS. Porque não sabem ou porque são iludidos por inescrupulosos que os enganam dizendo que estão prestando serviços gratuitos... para depois cobrar seu voto. A outra classe que se utiliza  do SUS faz questão de não aparecer ou de ser escondida. São todos aqueles que pagam planos e seguros de saúde e que, quando estes lhe negam algum serviço, recorrem ao SUS. São clientes que pagam por fora a instituições e/ou  profissionais, inconstitucional e ilegalmente e se utilizam das guias do SUS “calçando” o atendimento.  Esta segunda classe é a que acaba atropelando a primeira, furando filas de espera levados “por alguma mão de anjo” que está se favorecendo. Estes não tem interesse em divulgar o SUS. Seria como que uma ofensa, uma  humilhação dizer que se utilizaram de um sistema que, errônea e pejorativamente, denominam de “sistema dos pobres”. Nunca os vi na mídia louvando, agradecendo e, principalmente, defendendo o SUS. Defendendo mais recursos para o SUS. Defendendo o cumprimento da Constituição Federal que garante saúde como um direito universal e de equidade.
Acho que os gestores públicos têm que fazer mais marketing positivo do SUS. Não o marketing por ele mesmo ou para enaltecer administrações públicas. Marketing  para mostrar aos cidadãos brasileiros o que faz  o SUS  que teimam em querer privatizar. Seria um trabalho de conscientização para que mais pessoas defendam o SUS.
Aqui vão algumas lembretes conhecidos, mas não utilizados! Se cumpridos, poderão desempenhar  este papel. Colocar a logomarca do SUS em todas as unidades de prestação de serviços SUS (interna e externamente) inclusive naquelas que são contratadas ou conveniadas. Nos impressos de receitas, pedidos de exame, encaminhamentos, orientações e recomendações e mesmo documentos internos. Nas ambulâncias e demais veículos das secretarias de saúde. Nos medicamentos distribuídos. Milhares deles , ainda que distribuídos gratuitamente pelo SUS, são os mesmos do mercado e não trazem nem uma simples etiqueta colante  ou selinho dizendo que estão sendo distribuídos pelo SUS e foram adquiridos com recursos dos impostos que pagamos. E, finalmente, há uma obrigatoriedade legal (portaria ministerial) de se dar a todo cidadão que foi internado pelo SUS um documento em que conste que se gastou com ele determinado valor ( valor da tabela de procedimentos SUS) e que aquilo só foi possível ser feito sem pagamento no ato,  graças aos impostos e contribuições que todo cidadão paga direta ou indiretamente.
Enquanto não conscientizarmos os gestores  e os cidadãos usuários, cada um em seu papel, amargaremos as consequências do anti-marketing ou não-marketing a que o SUS está submetido. Seremos todos penalizados pela destruição do SUS pelo simples fato de não estarmos investindo em fazer, na cabeça de cada um, uma ligação de causa e efeito: É O SUS QUE AINDA ESTÁ GARANTINDO UM POUCO DA  SAÚDE  MANTENDO VIVOS E COM ALGUMA QUALIDADE DE VIDA MILHARES DE CIDADÃOS BRASILEIROS.
 
 

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