Grupo Interinstitucional de Comunicação e Educação em Saúde de Santa Catarina
A Imagem da Saúde

"Não podemos ser hipócritas. Para discutir AIDS é preciso falar de sexualidade"
                             (Arlindo Fábio Gomes)

O tema "A Comunicação e a Imagem da Saúde" foi apresentado no dia 1º/7 em São José pelo professor Arlindo Fábio Gomes, da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), que desenvolve o projeto Canal Saúde, transmitido via Embratel e por tevês comunitárias e educativas. Ele fez reflexões sobre contexto tecnológico na área de comunicações, que disponibiliza de forma global a mesma informação para adultos e crianças e permite até mesmo a realização de uma cirurgia à distância, e as desigualdades existentes no País, que excluem 60 milhões de pessoas. "Como vamos dar conta disto? Como trabalhar a educação com tantas desigualdades?", provocou ele. Para planejar o trabalho educativo, é preciso conhecer a realidade das pessoas, sua culturas, formação e valores. As ações, segundo ele, devem ser centradas nas pessoas que vivem esta realidade. Para realizarmos a ação educativa, precisamos nos despir dos preconceitos, avisou o professor da FIOCRUZ: "se não abandonarmos os preconceitos, vamos continuar reprimindo a população, reforçando formas de coerção". "Não podemos ser hipócritas: a droga é prazeirosa, não podemos ignorar isso. Não podemos discutir AIDS sem discutir sexualidade. Imoral é a fome! Temos que dizer o que achamos: o exercício da liberdade é difícil". Arlindo Gomes revelou "absoluta incapacidade" de distinguir o que é pior: a "dança da garrafa", a Tiazinha ou o Chapeuzinho Vermelho? A era vitoriana deixou-nos valores morais coercitivos, repressores, explicou ele, destacando que o processo da informação é muito mais violento do que pensamos. Para Arlindo, a imagem da saúde está mais ligada à doença. Comunicadores e educadores costumam trabalhar com a "estética da doença". Campanhas informativas enfatizam os riscos da doença ou da morte. "Como vamos nos reapropriar dos conceitos de saúde? Os conceitos de saúde, sucesso e poder foram apropriados pelo marketing de vendas de remédios, de sabonetes..." · professor defende a divulgação de boas experiências do Sistema Único de Saúde. "Somos modestos ao falar de nossos feitos mas muito autocríticos nas falhas", disse, contando que uma pesquisa sobre os serviços do SUS levantou 82% de índice de satisfação entre usuários de Niterói (RJ). Quando se ouve que o que funciona é a privatização estamos ouvindo que a coisa pública não funciona. Na opinião do professor da FIOCRUZ, o que é preciso, na verdade, é tornar público o que é público, acabando, por exemplo, com cabos eleitorais pagos pelo setor público. "Há quem pense que a assessoria de imprensa tem que "endeusar" o dirigente", comentou Arlindo.