Grupo Interinstitucional de Comunicação
e Educação em Saúde de Santa Catarina 

 
Estudantes e profissionais das  áreas da saúde 
e da comunicação refletiram sobre acobertura jornalística
 

“O maior pecado do jornalista é a arrogância”
Avaliação foi feita pelo jornalista e escritor Audálio Dantas no I Encontro Estadual Saúde e Doença na Mídia

“Vocês sabem a diferença entre um médico e um jornalista? O médico acha que é Deus,  e o  jornalista tem certeza que é.”  A piada foi  contada pelo jornalista e escritor Audálio Dantas no “I Encontro Estadual Saúde e Doença na Mídia”  para ilustrar o sentimento de onipotência  que ataca muitos profissionais da imprensa. Para ele, o jornalista deve despir-se da arrogância – “seu  maior pecado” -,   perguntar muito e fazer bom uso das respostas. “Muito repórter sabichão deixa de fazer um trabalho decente por não exercitar a arte da pergunta, por achar que sabe das coisas”, contou Audálio às 70 pessoas, entre estudantes e profissionais das áreas da saúde e da comunicação,  que participaram no dia 19 de maio de 2000,  no Auditório da Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina, do encontro realizado pelo Grupo Interinstitucional de Comunicação e Educação em Saúde de SC.

Audálio começou na  Folha de São Paulo em 1954, trabalhou como repórter, redator e editor da revista Realidade, extinta publicação que primava pela qualidade das reportagens , e, como  presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, teve atuação destacada no desmascaramento da farsa oficial do suicídio do jornalista Wladimir Herzog, assassinado em outubro de 75 nos porões da ditadura militar. Escreveu  “O Circo do Desespero”  e organizou a coletânea “Repórteres”. Hoje  é articulista do Diário Popular de São Paulo.
Audálio Dantas alertou para a necessidade de o jornalista se informar , ouvindo   várias fontes,  e não simplesmente repetir o que lhe dizem, evitando a prática da “empurroinformação” ou a edição de matérias “pré-cozidas”. Para ele, a saúde recebe da imprensa brasileira uma cobertura superficial, em grande parte pautada por atos governamentais. Segundo Audálio, a imprensa privilegia a divulgação de procedimentos e produtos médicos da moda, deixando na vala comum da desinformação “doenças sem charme” como a febre amarela.  Para discutir  saúde,  não podemos nos  desvincular da economia, onde a exclusão social  é cada vez mais pronunciada, advertiu o jornalista,  denunciando o “Consenso da Mídia” em que a grande imprensa aderiu com unanimidade  ao projeto de poder, neoliberal,  do governo de Fernando Henrique Cardoso.
O experiente repórter ainda revelou sua receita aos jovens estudantes de jornalismo presentes na Reitoria da UFSC: “é preciso captar as falas, os gestos, as dores, as alegrias, as tristezas das pessoas. Assim o repórter  será capaz de entender o mundo que o cerca”.

O I Encontro Estadual Saúde e Doença na Mídia também contou com uma palestra do médico e mestre em Saúde Pública Gilson Carvalho, que cobrou da imprensa a defesa do Sistema Único de Saúde: “o SUS não é do Governo, é do cidadão !”.  O SUS é um seguro de saúde solidário, universal, que faz 1,2 bilhão de atendimentos/ano, atuando  na vacinação, combate à dengue, vigilância sanitária, controle de medicamentos, fiscalização  de laboratórios e clínicas,  redução de acidentes de trânsito e até mesmo no controle de qualidade das camisinhas, destacou o médico, queixando-se que os jornalistas só divulgam o parto na calçada.
 

O  encontro prosseguiu no dia seguinte com a realização da Oficina de Jornalismo na Saúde Pública na  sede dos funcionários do Sistema FIESC em Florianópolis, orientada pela jornalista e educadora Elaine Tavares.

O evento foi organizado pelo Comitê de Comunicação do GICES-SC,com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores na Saúde e Previdência do Serviço Público Federal de Santa Catarina/SINDPREVS, Serviço Social do Comércio/SESC, Serviço Social da Indústria/SESI, e Supermercados Angeloni. O Comitê é   integrado por representantes do Sindicato dos Jornalistas de SC, Agência de Comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina/Agecom, Fundação Nacional de Saúde e Ministério da Saúde
 
 

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