
Grupo
Interinstitucional
de Comunicação e Educação em Saúde
de
Santa Catarina
Gilson Carvalho recuperado
Após
implantar marcapasso e desfibrilador, médico retoma
atuação em defesa do Sistema Único de Saúde
Um e-mail
surpreendeu no dia
1º de junho de 2010 os milhares de seguidores das tradicionais mensagens
Domingueiras de Gilson Carvalho: a esposa Maria Emília informava que o incansável
defensor do Sistema Único de Saúde havia sofrido paradas
cardíacas, que exigiram implante de marcapasso e desfibrilador. Uma corrente de pensamentos e
orações mobilizou em todo o País amigos,
admiradores e leitores em torno da recuperação do médico. Ainda convalescendo - recém
saído da UTI -, ele pedia que a esposa continuasse expedindo
seus artigos. Era imperioso denunciar os ataques ao SUS: na
quinta-feira, 20 de maio, indignado, ele já havia enviado antecipadamente a Domingueira
517, do dia 24,
bradando contra a judicialização na saúde, que
qualificou como "besta fera". No dia 6 de junho, adoecido, ele não pudera despachar
a Domingueira
518, que já tinha redigido. Coube a Emília a tarefa. "Dormindo com o inimigo: mais um ataque
ao direito à
informação e controle do cidadão usuário do
SUS desferido pelo próprio Ministério da Saúde":
com este título o artigo criticava a Portaria 1034, de 5 de
maio, que revogou a portaria 3277, que desde 22 de dezembro de 2006 garantia o acesso dos conselhos de
saúde aos serviços de saúde contratados.
No dia 13 de junho Gilson retomou o
comando das Domingueiras descrevendo com bom humor as agruras passadas. "Viavopagreta", escreveu, citando
uma expressão utilizada no interior de Minas Gerais para se referir a
dificuldades extremas enfrentadas. A expressão remete a uma
situação tão difícil como a de alguém que quase morreu, a ponto
de ver a sua avó pela greta do pórtico de passagem desta
vida. "Para alegria minha, em primeiro lugar, cá estou de volta
e espero que ainda por algum tempo. Fui, voltei. Não trago
recordações do não vi a não ser um imenso
medo de morrer", contou Gilson, elogiando o atendimento que recebeu do
SUS e destacando a "equipe de saúde técnica e
humanamente capaz" do hospital Pio XII, de São José dos
Campos, SP, onde foi internado. No sábado seguinte, 19 de junho,
preparou a Domingueira 520, retomando o combate com o artigo
"Saúde de Graça?" ao recomendar que ninguém vote
em "caras bonzinhos que, em cargos públicos, deram, dão
ou darão algo 'de graça' para você"
As Domingueiras, análises e artigos disponibilizados pelo e-mail carvalhogilson@uol.com.br
e pelo site do Instituto de Direito Sanitário (www.idisa.org.br)
constituem um serviço voluntário que Gilson presta desde abril de 1998 quando
se aposentou como médico da Secretaria de Saúde
de São José dos Campos. Nascido em Aracaju, em 1946,
especialista
em Pediatria, Saúde Pública e Administração
Hospitalar, Mestre e Doutor em Saúde Pública pela
Faculdade
de Saúde Pública da USP (sua tese tratou do
financiamento federal da saúde), já foi
secretário
de saúde de São José dos Campos e
secretário de Assistência à Saúde do
Ministério
da Saúde, é professor universitário e dedica-se a
palestras, conferências, consultorias e treinamentos sobre o SUS,
"mascateando" cidadania e saúde pelo País afora, conforme
definição própria em dedicatória do seu
livro "Participação
da Comunidade na Saúde",
coletânea de informações, reflexões e
provocações que subsidiam e estimulam o fortalecimento do
controle social no SUS.
Adepto do copyleft
(prática
semelhante à do software livre), Gilson diz que seus
textos
podem ser copiados e divulgados, independente de sua
autorização
e desde que sem fins comerciais.
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