Grupo Interinstitucional de Comunicação e Educação em Saúde de Santa Catarina 

     

    "Precisamos criar uma cultura de educação em saúde"
    Marcus Marconi apresenta as diretrizes das ações educativas da Fundação Nacional de Saúde no II Encontro Estadual de Comunicação e Educação em Saúde



    Marcus Marconi Palmeira Guimarães acha que as ações de educação e comunicação em saúde devem envolver os profissionais de saúde, os gestores e a comunidade, com projetos específicos. Ele apresentou aos participantes do II Encontro Estadual de Comunicação e Educação em Saúde as diretrizes  da Fundação Nacional de Saúde para a elaboração de projetos de ações educativas visando à promoção da saúde e também contou que o Programa de Educação em Saúde e Mobilização Social exigido pela Funasa para a liberação de recursos para obras de saneamento pretende sensibilizar os gestores e a comunidade para implantação permanente de ações educativas. Marconi é publicitário, jornalista, especialista em Comunicação Educativa e consultor da Unesco a serviço da Funasa, atuando na Assessoria de Comunicação e Educação em Saúde da Presidência da entidade.
    A seguir, apresentamos uma síntese da sua exposição, realizada na manhã de 27 de outubro do ano passado, no Hotel Valerim Plaza, em Florianópolis.


    "A Assessoria de Comunicação e Educação em Saúde da FUNASA tem como uma de suas missões o acompanhamento, a pesquisa e a criação de projetos de Educação em Saúde e de Comunicação que contribuam para a melhoria da qualidade de vida da população. A comunicação social educativa, voltada para a mobilização social, é um instrumento fundamental na conscientização, promoção e estímulo à saúde das comunidades.


    "Queremos mudar aquele velho estilo de educação, de se fazer campanhas ... apagando incêndio"
    Nós buscamos uma mudança daquele velho estilo de que educação para a saúde ou em saúde seja pega aquela coisa pontual  de 'vamos fazer uma campanha disso, vamos fazer uma campanha daquilo' ... para que realmente a gente consiga aos poucos criar uma filosofia de trabalho que mude isso, que quebre um pouco essa história de fazer apenas campanhas localizadas e na hora de apagar o incêndio. Ou seja, a gente quer realmente estabelecer uma filosofia de trabalho que aos poucos seja incorporada pelos gestores, pelos profissionais de saúde, enfim, porque todo mundo, em todo o processo da vida, está educando e está aprendendo. Então, não pode ser aquela coisa formal, bem,  porque nós não estamos tratando de educação formal. Educação formal já é aquela que é feita nas escolas, que tem suas metodologias. O processo que a gente discute na educação é outro, ela tem por natureza a informalidade, que exige uma troca, ninguém ensina apenas, todo mundo aprende e ensina simultaneamente.


    "A prática educativa parte do princípio de respeitar o universo  cultural das pessoas e as formas de organização da comunidade"
    Entendemos a educação em saúde como uma prática social cujo processo contribui para a formação da consciência crítica das pessoas a respeito de seus problemas de saúde e estimula a busca de soluções e organização para a ação individual e coletiva.

    O que nós temos que ver é como a gente vai conseguir transferir essa preocupação que nós, enquanto profissionais da área de saúde, profissionais da educação, gestores, conselheiros, nós temos um determinado nível de consciência dos problemas que afligem a comunidade. Mas como, por outro lado, as comunidades têm plena consciência das suas necessidades mas não sabem como acessar os respectivos canais de atendimento, a quem reivindicar, e não sabem se organizar, então nós temos como missão transferir esse conhecimento de quais são os caminhos, mostrar o caminho das pedras. Não tem como isso ser ser uma coisa de mão única, isso só existe se houver essa troca.

    A prática educativa parte do princípio de respeitar o universo  cultural das pessoas e as formas de organização da comunidade, considerando que todas as pessoas acumulam experiências, valores, crenças, conhecimentos e são detentoras de um potencial para se organizar e agir. Cada um tem seus conhecimentos e sabe exatamente quais sãos os seus problemas, o que quer e muitas vezes, mesmo, nos ajudar a resolver os problemas deles. Através da troca, do diálogo.

    Assim, reafirmamos a educação como um processo baseado na participação das pessoas e na mobilização social, visando à  mudança de determinada situação, rompendo com o paradigma da concepção estática de educação como transferência de conhecimento, habilidades e destrezas.


    "Estava lá a nata da intelectualidade e ninguém achava uma solução. Aí chegou o menino e disse: ' - Por que vocês não tiram o pneu da frente?"
    Tem até uma história interessante, que eu estava lendo há menos de um mês, de um cronista famoso aqui do sul que escreve para o Jornal do Brasil, se não me engano. Ele conta um encontro literário no interior do sul do Brasil que a  cada ano reúne um número maior de pessoas participantes, escritores, estudantes e comunidades... e no início esses escritores não acreditavam que esse encontro literário no interior do sul do Brasil conseguisse reunir tanta gente interessada. Aí ele conta que os escritores todos estavam reunidos em três ônibus. A comitiva tinha Afonso Romano, tinha inclusive Prêmio de Nobel, do Chile. Era a nata da intelectualidade brasileira e internacional, viajando a caminho da cidade. De repente entrou uma pedra entre as duas rodas do eixo traseiro de um dos ônibus. O pedregulho se alojou entre os dois pneus e ficou engastalhado lá. Não tinha jeito, não é? O motorista parou. Aí foi a verdadeira conferência. Saíram os três motoristas, os três ônibus pararam. Aquele monte de escritores, intelectuais, todo mundo discutindo a razão de a pedra entrar. Outro já estava filosofando: 'há uma pedra no caminho' ... Outros discutiam em outro nível para ver como tirar aquela pedra dali. Ninguém conseguia. Os motoristas já estavam com ferro, marreta, martelando aquele negócio. Subiam o ônibus no macaco, martelavam debaixo e ninguém conseguia resolver. Já estavam há mais de uma hora ali presos. De repente chegou um garotinho, ali da roça. Ele ficou olhando, olhando, aquela confusão toda. Ninguém dava a menor importância ao garotinho. Os motoristas são super entendidos. Tinha também aquele monte de intelectual, sem dar  menor solução. Aí o garotinho chegou: ' - Por que vocês não tiram esse pneu aqui da frente?'. Aí o motorista tirou aquele pneu ali da frente, rodou, a  pedra caiu e resolveu o problema... Ou seja, é o mesmo tipo de coisa, a gente sempre acha que a gente vai levar a solução. A gente nunca se dá conta de que às vezes a pessoa que está inserida naquela realidade, mesmo que não seja daquela especialidade, pode trazer uma série de agregadores de conselhos novos, porque justamente ela quebra, ela não está envolvida com aquele problema diretamente. Então nós que temos essa missão de transferir conhecimentos, de transferir tecnologias, enfim, a gente tem que ter a sensibilidade e estar aberto à intervenção dos outros e  não nos deixarmos engaiolar. Eu achei isto bastante interessante porque é relacionado com essa coisa da troca de experiências entre as pessoas e esse respeito à especificidade das comunidades, como a gente aguardar as coisas de acordo com as linguagens abordadas e sempre ater que a gente não está ali apenas pra transferir de forma unilateral.


    "A qualidade de vida depende de fatores sociais, econômicos, políticos, culturais, ambientais, comportamentais e, também, biológicos"
    Os fundamentos apontados anteriormente inserem a Educação em Saúde no contexto da promoção à saúde, cujo paradigma ganhou visibilidade com a Carta de Ottawa, ao definir que a melhoria da qualidade de vida é 'resultante de um conjunto  de fatores sociais, econômicos, políticos, culturais, ambientais, comportamentais e, também, biológicos'. Este conceito foi fortalecido nas demais conferências mundiais de saúde, em Adelaide, Sundsvall, Bogotá, Jacarta e, mais recentemente, na V Conferência Global sobre Promoção da Saúde realizada em junho de 2000, na Cidade do México.

    Ou seja,  se você observar a somatória daqueles fatores todos, aquilo ali é a vida. Toda a vida se resume naquilo ali, então você tem que ter sempre em mente que qualquer processo de promoção, de melhoria da vida, tem que observar todas aquelas variáveis. Lógico que eventualmente você pode ter uma delas como uma preocupação fundamental, o seu foco, e vai te trazer algum resultado. Mas efetivamente  a gente deve observar todos esses componentes para que a ação seja, assim, o mais completa possível.


    "A portaria 196 da Funasa exige que o município elabore um projeto de educação em saúde para receber o recurso "
    Vamos, então, ver a legislação que nos dá suporte jurídico. Então nós temos a lei 8080 de 1990, a lei orgânica da saúde, que define em seu Capítulo I, Art.5º, Item III, como um dos objetivos e atribuições do SUS 'a assistência às pessoas por intermédio de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, com a realização integrada das ações assistenciais e das atividades preventivas'. No capítulo 2º  a lei estabelece a participação da comunidade. Já a Norma Operacional Básica do SUS, a NOB de janeiro de 96, que redefiniu as responsabilidades dos estados, do Distrito Federal e da União e consolidou as responsabilidades  do município, cita como um dos papéis do gestor federal e do estadual a educação em saúde. Internamente, a portaria 1399 da Funasa, de 15 de dezembro de 99, estabelece as competências dos gestores federal, estadual e municipal nas atividades de informação, educação e comunicação no âmbito da epidemiologia e controle de doenças.
    Em 28 de março de 2000, na Portaria 176, que definiu os Critérios e Procedimentos para a Aplicação de Recursos Financeiros e permitiu o desenvolvimento do Programa de Educação em Saúde e Mobilização Social, que nós chamamos de PESMS, a Funasa criou as condições necessárias para o financiamento de projetos sociais que contassem com o envolvimento do conjunto da sociedade beneficiada. A Portaria 176 é uma iniciativa que garante, mediante a alocação de recursos para o desenvolvimento do PESMS, uma estratégia integrada para alcançar os indicadores de impacto correspondentes a cada projeto proposto, incluindo a participação da comunidade.
    Antes da implementação dessa portaria a Funasa fazia os convênios de projetos e não exigia nenhuma ação educativa, ela simplesmente transferia os recursos e os municípios e os estados faziam a distribuição do recurso objetivando só a atividade de saneamento por exemplo.  Não havia nenhuma atividade paralela que envolvesse a comunidade. A partir de 2000 foi criado esse programa. A elaboração de um Programa de Educação em Saúde e Mobilização Social é uma exigência da portaria 196 para a execução de qualquer projeto ou iniciativa de saneamento, por intermédio de convênio para repasse de recursos financeiros. Existe um percentual de contrapartida dos municípios, que se destina a essas ações de educação em saúde. Então, se tem um projeto de saneamento, de melhoria sanitária domiciliar, que vai custar 100 mil reais, pelo menos 3 mil reais devem ser destinados a alguma ação educativa. É preciso fazer um projeto de educação em saúde para a comunidade que está sendo beneficiada. Então, sem esse programa, a Funasa não libera mais recurso para nenhum município.


    "Fizeram o projeto para atender toda a comunidade. Aí o morubixaba disse: ' - Não, quem vai morar na casinha sou eu!' ... Quer dizer: é preciso um programa de educação na comunidade"
    Os objetivos do PESMS são estes: sensibilizar os gestores e as organizações sociais para a importância da efetiva participação da comunidade no desenvolvimento de ações de prevenção e controle de doenças; contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população; incentivar a cidadania; e otimizar a aplicação de recursos orçamentários e financeiros.
    É importante sensibilizar os gestores e a organizações sociais para importância da participação das comunidades porque tem a questão da sustentabilidade de qualquer projeto. É muito comum em realidades mais carentes, como na região Norte, na região do interior do Nordeste, muitas vezes a pessoa nunca teve a oportunidade de sair e ter nada além daquela cerca braba ou daquela mata fechada. Então é comum as pessoas não conseguirem sequer receber o beneficio. Então a Funasa cede 6 milhões de reais lá para a construção de melhorias sanitárias. Então, se constróem banheiros e cem casas, por exemplo. As pessoas não usam o banheiro  porque continuam fazendo  no mato o que deviam fazer no banheiro. Botam vasinho de planta dentro do banheiro.
    Agora mesmo, no mês passado, eu estava conversando com um amigo meu da área de saúde indígena. Eles fizeram um projeto, colocaram um chafariz, colocaram casinha pra atender a aldeia. Tudo muito bonitinho. Aí o morubixaba lá disse: 'não, quem vai morar na casinha sou eu'. E não deixa ninguém usar o benefício, praticamente cobra para dar água aos outros índios. Ele fez a casa em volta do chafariz, botou o chafariz só para ele, os outros não tem. Era um chafariz público para tribo inteira.
    Em outra situação - eu não lembro agora o nome da cidade -, foi feito todo o trabalho de saneamento que beneficiava em torno de 250 habitações, o que daria mais ou menos 2000 pessoas beneficiadas. O projeto de saneamento dizia que todo mundo teria água, todo mundo teria saneamento  mas dentro de seis meses os índices de doenças aumentaram absurdamente. Aí todo mundo perguntou: 'Pô, mas porque antes de fazer o projeto de saneamento as doenças estavam nesse nível e agora, seis meses depois, eles têm água, têm esgoto, têm tudo  está piorando. Como é que pode?'. Aí foram ver o que que é. Ninguém estava usando nada, porque tinha que pagar uma taxa, porque a prefeitura resolveu cobrar uma taxa de água... Aí, pô, ninguém quis usar nada.  aí ficou pior ainda, porque ficava mulltiplicando as doenças... Além do próprio prejuízo, não é? Os canos começavam a quebrar. Alguns vizinhos não queriam que o cano passasse por ali porque o outro usava mas ele não usava. Aí ele quebrava o cano. Enfim foi  uma confusão geral. Então isso reforça a necessidade de se fazer um programa de educação dessas comunidades.


    "É preciso fomentar o desenvolvimento de ações educativas compatíveis com indicadores epidemiológicos e ambientais"
    As diretrizes da política de educação em saúde da Funasa são fomentar o desenvolvimento de ações educativas compatíveis com indicadores epidemiológicos e ambientais; observar as especificidades locais;buscar técnicas e práticas inovadoras de educação em saúde; priorizar ações educativas na população escolar; e atuar em parceria com órgãos e entidades  públicas e privadas.

    A gente procura sempre acompanhar como estão os indicadores edipemiológicos pra saber o que propor, ou melhor, não é nem o que propor, é saber como sugerir ou orientar as pessoas que vão desenvolver esse projeto. Porque na verdade esses projetos não são feitos pela Funasa, os PESMS são feitos pelas próprias prefeituras ou pelas lideranças comunitárias, pelos agentes de saúde, pelos enfermeiros,  enfim, o município é quem indica quem vai fazer esse programa educastivo.
    É muito importante observar especifidades locais, que é para a gente não fazer, levar uma mensagem na linguagem inadequada, que não vá atingir os nossos objetivos. Então a gente tem que estar sempre observando isso. Nós lá na Assessoria de Comunicação e Educação em Saúde da Funasa, lá em Brasília, observamos muito  isto porque, como nós tratamos do Brasil como um todo, temos que estar sempre atentos a cada região, a  cada linguagem.


    "O PESMS  tem vida curta. Só existe enquanto tem o convênio. A gente quer que a ação educativa seja contínua"
    A gente tem sempre a preocupação de estar buscando novas técnicas e práticas inovadoras justamente porque nós também temos um processo de mudanças. Estamos querendo sair daquela coisa de 'ah, vamos fazer uma campanha', aí vai apagar o incêndio. Tem um surto de dengue, aí a gente corre para fazer uma campanha de dengue. Agora é a campanha de vacinação. A gente quer estabelecer um fluxo contínuo, de que essas ações de educação em saúde sejam o mais corriqueiro e o mais permanente possível. Eu acho que isso não vai ser conseguido pura e simplesmente com o PESMS porque esse programa de educação em saúde e mobilização social tem uma vida curta. Porque o PESMS só existe enquanto o convênio está sendo desenvolvido. Enquanto está sendo feito um projeto de melhoria sanitária, um projeto de abastecimento de água, nós temos aquela ação. Mas assim que aquele benefício é entregue à comunidade, aí já acaba... Então, o objetivo do PESMS é simplesmente preparar o povo para receber aquele benefício e estimular os gestores a ter esse tipo de preocupação. Para eles observarem o quanto uma ação de educação e de mobilização social é importante até mesmo para a conservação daquele investimento. Então esse que é o objetivo, sensibilizar realmente a comunidade e os gestores.


    "Os maiores agentes de mudança em uma sociedade são as crianças e os jovens"
    Nós temos também a questão das ações educativas na população escolar. Isso porque nós entendemos que os maiores agentes de mudança em uma sociedade são as crianças e os jovens, porque as crianças e os jovens são sempre mais abertos as informações do que as pessoas da geração mais velha. Por isso, inclusive a gente pode observar que uma tendência na propaganda, na publicidade, que não vem de agora, já vem de muito tempo, onde cada vez mais se dá ênfase para a participação das crianças nos comerciais. Porque o apelo da criança é muito forte, ou seja, nos sensibiliza muito em termos de comunicação. A gente se liga muito, presta muita atenção no que a criança, no que aquele ator está fazendo ali. Também tem a questão de ela ser um elemento de mudança. Então, a gente procura dar um destaque na população escolar justamente porque ele vai levar para casa aquela mudança de hábito que a gente pretende instalar naquela comunidade.

    Nossa premissa é a de que um plano de comunicação e educação em saúde para controle/erradicação de agravos ou melhoria das condições de saúde das comunidades, bem como para mudança comportamental, deve contemplar três públicos distintos: a sociedade, os profissionais de saúde e os gestores.
    Nas ações em educação em saúde, temos que ver o público, a competência e as parcerias. Assim, o público é a sociedade em geral, são os profissionais e gestores. São três públicos distintos. Nas ações da Funasa, a coordenação fica com o Ministério da Saúde, com a FUNASA. A execução é do governos federal, estadual, municipal, isto é, as respectivas secretarias de saúde. Como parcerias, temos, por exemplo,  a Organização Mundial de Saúde – OMS, Organização Panamericana da Saúde – OPAS, DST/AIDS/MS, associações médicas, sociedades de especialistas, envolvidos no diagnóstico e tratamento, associações de paramédicos, bancos de sangue, igrejas, escolas e universidades, promotores culturais.


    "O papel do cidadão é uma coisa fundamental na nossa prática. Nós temos que realmente conseguir reconquistar ou recriar o cidadão brasileiro"
    Os aspectos básicos do projeto educativo são:
    • promover ações educativas, informar a população sobre a saúde, doenças e tratamentos, e adotar as medidas de prevenção;
    • Promover ações de comunicação para informar a classe médica  e outros profissionais de saúde sobre o diagnóstico e monitoramento de ocorrência da doença e agravos, contribuindo para o aperfeiçoamento da sistemática de notificação, prevenção, controle e assistência das doenças; e para a eficácia do seu tratamento;
    • divulgar informações dirigidas aos gestores para apresentar as ações que estão sendo desenvolvidas e as estratégias adotadas;
    • divulgar as ações e campanhas de acordo com a estratégia adotada.


    Vamos propor os conteúdos temáticos da ação educativa para a população em geral: o que é saúde? A sua relação com meio ambiente, a importância do saneamento. As endemias, doenças e prevenção. Tipos e objetivos dos tratamentos específicos. Os sinais  e sintomas que a população tem. Enfim, a população tem que conhecer essa sintomatologia para que possam identificar os problemas, como agora estão fazendo essa campanha do auto-exame da mama. Também  são conteúdos da ação educativa a descentralização, as competências de cada esfera de governo, o o papel do cidadão - que eu acho que é uma questão fundamental -,  o controle social do SUS, e a conscientização. Eu acho que o papel do cidadão é uma coisa fundamental nessa nossa prática, nós temos que realmente conseguir reconquistar ou recriar o cidadão brasileiro.


    "Nós temos que fazer uma ação educativa para a comunidade, uma ação para a classe médica e uma ação para os gestores"
    As estratégias da ação educativa são envolver as lideranças comunitárias na divulgação dos conceitos, envolver a comunidade nas ações, envolver os agentes do PACS e PSF no desenvolvimento de campanhas localizadas, criar as peças de divulgação e informação de acordo com a realidade local, envolver escolas e universidades, e estabelecer relação com a mídia. Temos uma dificuldade do relacionamento da mídia com os profissionais de saúde de maneira geral. Assim, nós temos uma ação para a comunidade, uma ação para a classe médica e uma ação para os gestores, porque todos esses três públicos têm que atuar de forma simultânea.

    É comum a gente encontrar médicos que não sabem um monte de coisa sobre determinados assuntos. Na ação educativa em que o público-alvo são os médicos e os demais profissionais de saúde, nós teríamos como conteúdo temático de capacitação específica a importância do diagnóstico e notificação, a assistência e tratamento... É  muito comum médicos muitas vezes não identificarem determinadas doenças além daquela de notificação obrigatória. Eles simplesmente dizem: 'Ah, não! É um saco preencher essa ficha aqui, é muito complicado, muito grande. Não tenho tempo, tenho muita gente para atender'. Aí ele não faz. Então, a gente tem que realmente  que estar trabalhando na educação continuada desses profissionais pra que isso não aconteça em outras coisas, porque, por exemplo, no caso das hepatites viróticas, eles não têm nem idéia do que fazer.  Eu também estou trabalhando na questão de hipertensão, fiz até uma revista lá para o Ministério da Saúde. Quer dizer, medir a pressão é fundamental, para você notificar diabetes e hipertensão. Qual é o médico que atende e faz medida de pressão? Raramente, não é?  Então, só vê a queixa do paciente e por ali já quer tirar o diagnóstico...


    "A gente estimula a participação efetiva dos Conselhos Municipais de Saúde e da comunidade"
    Como conteúdos  da ação educativa para os profissionais de saúde, também temos o envolvimento e atuação social, o papel do PACS/PSF, biossegurança, ética e cidadania, descentralização e competências.  Como estratégias, temos a promoção de seminários e encontros das categorias, o incentivo às Secretarias de Saúde e Faculdades de Medicina e Enfermagem para promover cursos específicos de controle, assistência e aperfeiçoamento profissional, a disseminação das informações para divulgação do quadro nacional da saúde, destacadamente para prevenção.

    Nas ações voltadas para os gestores de saúde, temos como conteúdos as políticas, estratégias e ações de saúde focadas na mobilização e controle social, a adesão e compromisso com a capacitação do pessoal da saúde, a pactuação e o calendário de campanhas. A gente estimula a participação efetiva dos Conselhos Municipais de Saúde e da comunidade no processo de implantação das ações. Também faz parte das estratégias dessas ações o incentivo às Secretarias de Saúde e Faculdades de Medicina para promover cursos específicos de controle e assistência, e a distribuição de publicações voltada à pesquisa e disseminação das informações.


    "Uma precaução é  informar sem gerar aumento desproporcional de demanda"
    Finalmente, as precauções que nós devemos ter sempre em qualquer desenvolvimento de qualquer ação educativa para a saúde é justamente informar sem gerar aumento desproporcional de demanda, não criar pânico. Porque às vezes a gente, na melhor das intenções, pode criar uma bomba de efeito retardado. Agora mesmo eu faço parte de um grupo onde estamos trabalhando a questão das hepatites virais e nós temos o seguinte problema: não existe no mundo produção de vacina suficiente para vacinar e imunizar todo mundo. A gente teria que vacinar todos os jovens até vinte anos para prevenir as hepatites virais. E eu estou envolvido justamente na criação de um projeto de comunicação educativa que não crie demanda, porque, se todo mundo correr  para se vacinar, não vai dar certo porque não tem vacina nem para um terço...
    Outras precauções necessárias na ação educativa:  estabelecer o fluxo de informações de forma articulada e sincronizada entre os atores do processo, não sobrepor ações (respeitar atribuições das esferas federal, estadual e municipal), identificar e criar  grupo técnico das ações de comunicação e educação, observar os aspectos operacionais e contrapartidas de cada um dos parceiros envolvidos nos projetos."




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    FUNASA orienta estruturação de ações educativas
    A Assessoria de Comunicação e Educação em Saúde da Presidência da Fundação Nacional de Saúde editou uma publicação orientando a realização de oficinas de educação em saúde e comunicação, visando estimular a estruturação de ações educativas pelas secretarias estaduais e municipais de saúde.
    Conforme o material, que foi construído pela ASCOM/Funasa após a realização de duas oficinas de trabalho nos estados do Pará e do Amazonas, o objetivo geral da oficina é "promover o desenvolvimento de métodos e processos de educação em saúde e comunicação para acesso e apropriação do conhecimento em saúde e produção de materiais de apoio à prática educativa desenvolvida nos serviços e na relação destes com a comunidade, estimulando e valorizando os canais existentes de comunicação".
    Como objetivos específicos, a publicação alinha a identificação dos atores locais visando à pactuação de apoios e parcerias políticas, administrativas e técnicas, a contextualização das ações de educação em saúde e comunicação, a participação na promoção do resgate da identidade cultural local e a instrumentalização da gerência das ações de educação em saúde e de comunicação pelo município.
    A Funasa ainda sugere estrutura da oficina, público-alvo, estratégias e material a ser utilizado. A publicação mostra peças criadas durante as oficinas, como programas de rádio (com roteiro de entrevistas), cartazes, calendário e letras de música.
    Você pode obter o texto integral (em formato PDF) clicando na imagem acima que mostra a capa da publicação.
     
    Calendário produzido na oficina no município amazonense Manacapuru

                 

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