Grupo Interinstitucional de Comunicação e Educação em Saúde de Santa Catarina 

SISTEMA DE INFORMAÇÃO  E  A  CAPTURA DA DIVERSIDADE DOS PROBLEMAS  DE  SAÚDE
A questão central identificada foi o fato de hoje fazermos saúde neste País sem utilizarmos informação para o planejamento, programação, gestão e avaliação do sistema, serviços e ações de saúde.
Isso significa que os gestores, os trabalhadores, os cidadãos em geral, não possuem uma visão sistemática das necessidades sociais em saúde, gerando uma enorme fragmentação de ações, com escasso planejamento e quase nenhuma avaliação do realizado, sobretudo no que diz respeito aos impactos na condição de saúde da população.
Temos freqüentes problemas por sub  ou super dimensionamento das ofertas em saúde, com conseqüências  dramáticas no acesso e qualidade da assistência.
Os Conselhos de Saúde ficam despontencializados em suas atividades, por não trabalharem de forma sistemática com informações em saúde, perdendo a capacidade de gerar agendas sociais de ação em torno à  percepção da dimensão dos problemas de saúde e suas determinações sociais e distribuição  no território.
As razões para esta distância dos Conselhos em relação às informações, se referem  as dificuldades de acesso   às informações,  pelo falta de domínio das tecnologias de uso das mesmas e pela não compreensão dos métodos de análise e interpretação das informações.
Existe já um vasto universo informativo a ser explorado, integrado e utilizado por todos os atores sociais envolvidos.
A geração de informações pelo SUS está bastante relacionada com as suas exigências administrativas, gerando distorções na alimentação e análise dos sistemas de informações gerenciais.  Por outro lado, temos sistemas nacionais de informações epidemiológicas, demográficas e sócio-econômicas (IBGE),  além de outros, com base de dados ainda separadas e nem sempre disponíveis na desagregação necessária (nível de município e de distritos/territórios de saúde, por unidades de atenção).
Persistem importantes problemas de sub-notificação, resultantes da pouca cultura da informação  existente em nossas organizações e das condições de retorno fragmentado e generalizante dos dados, além da ausência de espaços sistemáticos de avaliação das informações geradas junto aos serviços e frente aos conselhos de saúde e a sociedade em geral.
Também vemos a persistência de barreiras políticas e administrativas para a qualidade e integração dos dados, como no caso da manipulação de dados desfavoráveis e a persistência de informações restritas aos serviços de segurança pública ( verificação de óbitos junto aos IML – Instituto Médico Legal).
Os cartórios  ainda criam barreiras em muitas regiões pobres ao obstaculizar o acesso gratuito aos registros civis.
Ainda há lacunas de informação referentes a temas emergentes na saúde pública, como  por exemplo, as causas externas (acidentes) e a violência em particular. Mas  há também a incapacidade e desinteresse dos serviços em gerarem quadros adequados de informação sobre a morbidade atendida.
A coleta de dados por parte dos serviços continua sendo uma tarefa incompreendida, onerosa e desqualificada, exigindo uma intervenção simplificadora, motivadora e qualificadora desta prática.  Não existem registros interprofissionais integrados e de qualidade.  Dados intersetoriais não são trabalhados de forma integrada, criando barreiras para o desenvolvimento de estratégias promocionais.
Existe uma carência generalizada de capacitação de pessoal para trabalhar informações e uma carência de infra-estrutura de instalações e equipamentos para estes fins.  Além da falta de circulação de dados/informações dos serviços públicos entre os três níveis de gestão.

Dados do Relatório Final da XI Conferência Nacional de Saúde.