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Grupo Interinstitucional de Comunicação e Educação em Saúde de Santa Catarina
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RECURSOS HUMANOS – ASPECTOS GERAIS
O SUS é o grande empregador dos trabalhadores de saúde, tanto público como privado credenciado, no entanto, a política de recursos humanos é hoje o maior problema para a gestão do SUS nos municípios. A responsabilidade é da política neoliberal do governo que sucateia os serviços. No entanto, os temas Humanização e Acesso da Conferência, acabaram por favorecer uma polarização entre Usuários X Trabalhadores de saúde, que desviou a atenção da discussão substantiva : “a irresponsável política do governo no campo dos Recursos Humanos” – uma das facetas do processo de desmonte do Estado brasileiro.
Se de um lado, os profissionais de saúde não são responsáveis pelo caos em que se encontra o SUS, por outro lado, a população é punida pela política vigente dos Recursos Humanos no SUS.
GESTÃO DOS PROCESSOS DE TRABALHO
A diferenciação de vínculos entre os trabalhadores de saúde – CLT, estatutários, terceirizados, cedidos, cooperativados – prejudica a interação entre os servidores. O aumento de contratos temporários, cooperativas e outras organizações e formas de contratação através de desvio de recursos humanos para outras áreas e os cargos de confiança com profissionais pouco ou nada qualificados, contribui para o desgaste do sistema.
A falta de recursos materiais também contribui para a diminuição da qualidade dos serviços prestados. Se a humanização dos processos de trabalho no SUS depende, em parte, de questões como afinidade com o trabalho, também depende das condições de trabalho a que o trabalhador da saúde está submetido. Profissional estressado não faz atendimento humanizado.
É também apontada a indefinição de políticas de permanência do profissional no interior do país, com concentração dos mesmos nas áreas mais urbanizadas.
Em suma, garantir a igualdade e a qualidade das condições de trabalho com salário justo, significa reverter o modelo proposto pelo governo federal que tem provocado a desvalorização do salário dos profissionais de saúde, estando os servidores públicos da área há mais de 6 anos sem reajuste salarial.TRABALHO EM EQUIPE
No que diz respeito às equipes de saúde, há uma grande fragmentação da atuação do profissional de saúde em geral. O trabalhador muitas vezes executa a mesma tarefa, mas, o fato de pertencerem à órgãos de origem diferenciados e com diferentes gerências, salários, condições de trabalho, carga horária e acesso a capacitação, acaba acarretando desarticulação e desestímulo.
De outro lado, a organização hierárquica dos profissionais de saúde nas equipes coloca o médico no centro do processo de trabalho em detrimento aos outros profissionais, o que agrava a desarticulação, gerando situações cotidianas de conflito, onde os profissionais de menos nível hierárquico muitas vezes acabam apenas recebendo ordens e não contestando procedimentos e processos de trabalho que contribuam para a baixa qualidade do atendimento.
Há assim, necessidade de desmistificação do papel do médico com reconstrução das relações de poder nas equipes de saúde.
Existe também um distanciamento entre os trabalhadores da saúde e os gestores.
A FORMAÇÃO PROFISSIONAL
O Ministério da Educação precisa adequar o curriculum das escolas de profissionais de saúde, incluindo como prioridade as ações de atenção básica e criar mecanismos de absorção desses profissionais no mercado. O aparelho formador não está voltado à satisfação das necessidades de saúde da população. Médicos, Dentistas e outros profissionais do setor, recebem formação que impõem a incorporação de tecnologias (equipamentos, medicamentos ...), de acordo com os princípios do mercado. Esses profissionais não são conscientes de seu verdadeiro compromisso com o SUS. A formação especializada dos médicos, faz com que não haja oferta adequada da Clínica Geral, obrigando os pacientes a longas peregrinações por diferentes serviços especializados, não tendo acesso a atenção integral.
Nesta lógica, este quadro estimula o abuso do diagnóstico armado, em detrimento da avaliação clínica do paciente, dando origem a um grande número de exames subsidiários, agravando a busca e a espera da clientela. O profissional médico recusa-se a trabalhar pelos valores de remuneração do SUS, forçando a clientela a depender da assistência privada.
Não há também, uma política adequada de formação de profissionais de nível médio, não existindo portanto, uma rede nacional de instituições que possam promover uma formação adequada para estes profissionais.
RELAÇÕES INTRA-EQUIPE DE SAÚDE E EQUIPE-COMUNIDADE
Paralelamente a falta de Recursos Humanos na rede – inclusive no atendimento de urgência/emergência, diagnostica-se muitas vezes falta de comprometimento dos profissionais com a população e seus problemas, reproduzindo-se assim um ciclo incessante de mau atendimento : ineficaz, insuficiente e desumano.
A falta de proximidade dos profissionais de uma equipe de saúde, dos problemas existentes em seu local de trabalho, vem indicando a necessidade de um maior conhecimento acerca dos problemas e necessidades da população que atendem, em especial as mais carentes.
Este trabalho centrado nas necessidades sociais e de saúde locais, deve ser parte do processo de formação profissional (universidade e cursos técnicos).
Uma das facetas das dificuldades de relação é a desinformação dos pacientes, ou seja, a equipe não transfere conhecimento básico nem informa sobre suas ações.Dados do Relatório Final da XI Conferência Nacional de Saúde.