Grupo Interinstitucional de Comunicação e Educação em Saúde de Santa Catarina 

 

A mídia, os jovens e a AIDS  Seminário realizado em Brasília em julho de 2000, reunindo editores da Mídia Jovem, especialistas e adolescentes, gerou a publicação Os Jovens na Mídia - O Desafio da Aids, que  traz dados sobre a epidemia, recomendações para a imprensa, sugestões de pauta e um guia de fontes e especialistas cobrindo os principais temas que envolvem a Aids e a juventude. Veja aqui algumas conclusões do evento e dicas para reportagens.


Sugestões de pauta

Por que são tão poucos os anúncios de camisinha nas mídias impressa e eletrônica? Será que os fabricantes acreditam que as campanhas do governo são suficientes para promover o seu produto?

• Por que ninguém confronta a postura das indústrias de preservativo do País? Elas estão longe de desenvolverem um compromisso social: na maioria dos casos, a camisinha é vendida ao consumidor por um preço 25 vezes maior do que o Ministério da Saúde paga em grandes compras. Será que estão fazendo da AIDS um grande negócio?

• Por que, mesmo com a informação, o jovem não usa a camisinha? Quais são os problemas que ele encontra na hora H? • Divulgar a campanha pela isenção de impostos da camisinha, repercutindo a iniciativa junto à população.

• Questionar o porquê da camisinha não ser vendida em locais freqüentados por jovens.

• Como é o acesso do jovem de baixa renda ao preservativo? Que dificuldades ele encontra? Além da questão financeira, serão os seus problemas os mesmos enfrentados pelo jovem de classe média?

• Uma revista publicou em sua capa a seguinte chamada: “Romário dá dez numa noite”. Poderíamos acrescentar: “Num mês, ele gastaria uma grana com camisinha. Se você não ganha bem como ele, retire as suas de graça nos postos de saúde.”.

• Foi notícia: “Ronaldinho, astro da campanha anti-AIDS do UNAIDS, vai ser pai depois de um mês de namoro”. Por que não repercutir esse tipo de informação, investigando se a sua noiva submeteu-se ao teste anti-HIV no pré-natal?

• Convocar os ídolos da juventude a participar: “Vavá do Karametade conta que usa camisinhas com sabores de fruta”; “Feiticeira faz o test-drive da camisinha feminina”.
 

O papel da mídia

• A Mídia Jovem deve atuar em dois sentidos primordiais:

• Informar a população menos favorecida. Sabe-se que essa população tem maior acesso a rádio e televisão, pouco consumindo jornais e revistas.

• Conscientizar as classes mais favorecidas econômica e culturalmente, para que contribuamna disseminação de informações precisas, atuando como co-agentes de transformação social.

• O assunto AIDS/camisinha pode ser inserido em matérias de arte, cultura, esporte e perfis de ídolos. É muito eficaz associar aos ídolos o uso do preservativo.

• É possível chamar a atenção das classes economicamente mais favorecidas para a proximidade do problema das classes mais pobres. A mídia deve expandir sua pauta para focalizar o diálogo entre o patrão e a empregada doméstica, alertando para a importância de se contemplar a questão da sexualidade e da prevenção à gravidez e ao HIV.

• É necessário destacar, também, que muitas adolescentes trabalham em serviços domésticos. Na maioria das vezes longe de suas famílias, acabam ficando sem qualquer tipo de apoio emocional, privadas de informações importantes para seu desenvolvimento. Não raro, ficam, inclusive, sem acesso à escola, o que amplia sua situação de vulnerabilidade.

• São extremamente válidas as matérias que desmitificam o estigma do portador, mostrando que é possível conviver com a doença, de preferência remetendo a casos reais de gente famosa, como “Magic” Johnson ou Valéria Piassa Polizzi (autora do livro Depois daquela viagem).

• É muito importante que a Mídia Jovem esteja atenta às diversas formas de discriminação a que estão expostas as pessoas HIV-positivas de baixa renda. A Coordenação Nacional de DST e AIDS do Ministério da Saúde conta com um departamento jurídico para auxiliar pessoas que foram sujeitas a qualquer tipo de ato discriminatório, seja no trabalho, na escola ou mesmo na família. As matérias que venham a tratar da questão podem destacar, com clareza, os conceitos de solidariedade e tolerância.

• Deve-se tornar a imagem da camisinha comum, brincando com símbolos fálicos, aproveitando o fato do duplo sentido estar sempre presente nas conversas e pensamentos do adolescente. É possível utilizar os recursos estéticos mais modernos para tornar a sua imagem e uso atraentes.