Grupo Interinstitucional de Comunicação e Educação em Saúde de Santa Catarina

        Reflexão


         
         
          Ações educativas não podem ser avaliadas pelo número de folhetos produzidos

          Como medir o impacto das ações educativas? Como saber se a diminuição do número de focos de vetores se deve mais a campanhas educativas ou à aplicação de larvicidas? Dúvidas como estas são freqüentes entre os trabalhadores da área de educação e foram discutidas no mês de março de 1999 em Goiânia pelos  participantes do Seminário Interinstitucional de Educação em Saúde promovido pelo Ministério da Saúde e pela Fundação Nacional de Saúde. Todos concordaram que não é possível medir o resultado das ações pela quantidade de folhetos produzidos ou pelo número de palestras levadas à comunidade. O setor precisa utilizar indicadores precisos. Jacirema Peixoto, da Assessoria de Planejamento Estratégico da FUNASA, acha que a adoção desses indicadores na área de educação em saúde acabará valorizando o setor, que disporá de elementos para avaliar efetivamente a eficácia de suas ações. "Não queremos mais ser chamadas como as meninas da Educação", brincou, provocando risos nos participantes do Seminário. "Tampouco queremos ser as coroas com técnicas, com teorias que não têm comprovação científica", completou a gerente de Educação da FUNASA, Lourdes Rabelo.



          Indicadores devem buscar o controle social

          Pesquisador apresenta proposta para avaliação de atividades educativas
          A promoção da saúde precisa de indicadores que avaliem de forma efetiva a eficácia de sua ações. O médico José Ivo Pedrosa apresentou durante o Seminário de Educação em Saúde promovido pela FNS em Goiânia um texto para análise e discussão propondo a utilização de indicadores compostos, que combinam dados quantitativos (índices demográficos e mortalidade, por exemplo) e qualitativos, subjetivos, como a efetividade dos Conselhos Municipais de Saúde e dos serviços de saúde. "É preciso prestar atenção na identidade, nos valores, na linguagem, na afetividade do indivíduo, do bairro. Uma favela piauiense tem coisas que o FMI desconhece", disse o médico, que tem Doutorado em Saúde Coletiva e é coordenador do Mestrado em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Piauí. Para ele, os dados subjetivos devem ser dinâmicos, interagindo e transformando a sociedade, diferentemente dos indicadores quantitativos, que são estáticos e só servem para o técnico planejar. "Os indicadores precisam propiciar a participação da sociedade viabilizando o controle social no SUS", aconselhou o pesquisador, que também é adepto da interdisciplinariedade. Profissionais de saúde e usuários dos serviços devem se organizar em defesa do ambiente e da vida, na opinião de José Ivo, que classifica os determinantes da saúde da população como distais e proximais. Tomando como exemplo um caso de diarréia, o pesquisador disse que o determinante distal poderia ser encontrado na SUDENE ou na política de saneamento enquanto o proximal estaria na divulgação de informações pelo posto de saúde.

            Indicadores compostos sugeridos pela pesquisa
        • População, mortalidade infantil, morbidade, serviços, equipamentos e profissionais de saúde por habitante, resolutividade dos serviços
        •  Controle social: existência de Conselho Municipal de Saúde e de Fundo Municipal de Saúde, periodicidade de conferências, aprovação e deliberação do Plano Municipal de Saúde, existência no Conselho de regimento, local para reuniões, secretaria executiva, telefone ou fax, prestação regular de contas pelo gestor, tipo de gestão, orçamento participativo
        •  Abastecimento de água e esgoto, coleta de lixo
        • Cobertura vacinal
        • Ação educativa ambiental
        • Material educativo produzido
        • Taxa de analfabetismo, repetência, evasão escolar, índices de escolaridade da família, filhos fora da escola
        • Área verde por habitante
        • Intersetorialiedade (parcerias existentes)
        • Gastos do Tesouro Municipal com saúde
        • Políticas públicas: programas de geração de emprego, incentivo à cultura, proteção à mulher, política para criança e terceira idade, esporte, lazer
        • Organização comunitária: movimentos sociais existentes, conquistas, participação dos grupos sociais na formulação e implementação da política de saúde
        • Moradia: plástico, papelão, madeira ou  alvenaria, existência de sanitário, refrigerador, rádio ou TV, área invadida ou não, risco de desmoronamento ou alagamento, distância de ponto de ônibus, escola, centro de saúde, posto policial, pavimentação da rua

        • Hábitos pessoais: número de refeições, ingestão de proteínas e carboidratos, acesso a serviços de saúde, número de consultas, aleitamento materno, utilização de alopatia, ervas medicinais, benzedeiras, pais-de-santo, consumo de álcool, cigarro, prática de esportes, lazer.

          Retorna à homepage